Dalai Lama desperta reverência e frustração entre tibetanos

Dalai Lama desperta reverência e frustração entre tibetanos

Reuters Por Jonathan Allen

DHARAMSALA, Índia (Reuters) - Os líderes dos protestos ocorridos no Tibet afirmaram na segunda-feira estar decepcionados com a postura conciliadora adotada pelo Dalai Lama em relação à China e que a maioria dos tibetanos não compartilha da opção dele pelo "caminho do meio".

Mas ressaltaram que continuavam a reverenciar o líder.

Dharamsala, o lar indiano do Dalai Lama e do governo tibetano no exílio, tem sido o epicentro dos contundentes protestos realizados por tibetanos exilados depois de soldados e policiais chineses terem isolado Lhasa, a capital do Tibet, a fim de reprimir as violentas manifestações ocorridas ali.

"O caminho do meio existe há 20 anos e nada resultou dele", disse Tsewang Rigzin, presidente do Congresso da Juventude Tibetana, a repórteres em Dharamsala.

À noite, em Dharamsala, centenas de tibetanos têm realizado vigílias à luz de vela nas ruas e nos monastérios.

Em Nova Délhi, centenas de manifestantes gritaram palavras de ordem e queimaram bandeiras chinesas. A polícia prendeu ao menos 50 deles quando tentaram invadir os escritórios da Organização das Nações Unidas (ONU) na cidade.

A questão surgiu também no Parlamento indiano, quando membros do partido nacionalista hindu, da oposição, abandonaram uma sessão para protestar contra o "silêncio" do governo a respeito da violência verificada no Tibet.

Os manifestantes em Dharamsala defendem uma meta muito mais ambiciosa do que a do Dalai Lama, mesmo que continuem exibindo respeitosamente as imagens dele. O líder espiritual deseja a criação de um Tibet realmente autônomo dentro da China, postura essa descrita como a do "caminho do meio". Os manifestantes querem a independência total.

Os líderes dos protestos afirmam que a postura do Dalai Lama não trouxe resultados até hoje e discordam do comunicado divulgado por ele no domingo, afirmando que a China "merecia" realizar os Jogos Olímpicos.

Ainda assim, há um cuidado em contrabalançar todas as críticas com declarações de apreço pelo líder budista, 72.

"Sua santidade continua a ser o nosso líder", afirmou B. Tsering, dirigente da Associação das Mulheres Tibetanas, sentada ao lado de Rigzin. "Ele continua a ser nossa fonte de inspiração."

Outros manifestantes ressaltam que poucos viajaram tanto e chamaram tanta atenção para a causa tibetana quanto o Dalai Lama.

No entanto, quando questionado sobre se o Dalai Lama ajudou na campanha deles, Rigzin limitou-se a observar que o líder budista encontrava-se agora quase aposentado e que cabia a cada um dos tibetanos definir o perfil do movimento.


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