Dia do Meio Ambiente Comemorar o quê?

Dia do Meio Ambiente Comemorar o quê?


Em meio à badalação da semana do Meio Ambiente, diversas discussões são promovidas em todos os cantos do planeta,entretanto, de concreto, temos muito pouco à comemorar.


As mudanças climáticas fruto do aquecimento global e do nosso modo de produção já são uma realidade diária que compromete a qualidade de vida de todos; a crise econômica mundial colocou mais uma vez de escanteio a discussão sobre o desenvolvimento sustentável em nome de mais investimentos em produção que levarão à médio prazo à uma crise ainda mais profunda e inevitável e não se vê no horizonte nada que indique uma relação menos conflituosa entre homem e meio ambiente.


No âmbito municipal as coisas vão ainda piores. Prédios e mais prédios espalham-se por toda São José dos Campos sem grandes critérios, produzindo ilhas de calor, trânsito caótico, sobrecarga do sistema de água e esgoto entre outros. O transporte coletivo continua em segundo plano com a insistência em priorizar investimentos que atendam o automóvel, como novas vias e avenidas; nascentes são soterradas sob empreendimentos imobiliários;a educação ambiental e as ciclovias não saem do papel e por ai vai.


Há quatro anos, o governo criou uma secretaria de Meio Ambiente como esperança de resolver esses e tantos outros problemas mas até hoje, esta não mostrou à que veio, restringindo sua atuação à ações tímidas e de duvidoso impacto sobre a qualidade vida da população no município. Acomodando boa parte dos ambientalistas e críticos de outrora, sufocou o debate ambiental na cidade, que se vê refém de uma política confusa e ineficaz em relação ao meio ambiente.


Enquanto insistimos em transferir a responsabilidade sobre o meio ambiente ao cidadão comum, como se dependesse exclusivamente de seu comportamento e consumo responsável solucionar os problemas, como a atual campanha para se urinar no ralo durante o banho enquanto constrói-se supermercados sob nascentes, desperdiça-se água e energia na indústria e na produção de bens de consumo descartáveis e desnecessários, tudo em nome do progresso, colocando em xeque toda a vida no planeta.


O momento é grave e decisivo, ou tomamos atitudes concretas que alterem substancialmente a forma como nos relacionamos com o meio ambiente e o planeta ou nos preparemos para o troco. Fome, desastres ambientais ainda mais frequentes, morte escassez. A Terra não esperará nossa tomada de consciência tardia.


Josias Franklin Maciel

Cientista Social



Comentários

Unknown disse…
caro Franklin,ótimo e pertinente post.Quando se vê pessoas como essa senadora Kátia Abreu defendendo publicamente o desmatamento da Amazônia em nome do agronegócio e a execração pública que sofrem Marina Silva e Minc,vemos que é chegada a hora do governo tomar um posicionamento mais claro,e nós de cobramos esses posicionamentos.Valeu pelo post e pelo excelente blog.Parabéns.Um abraço.
Nanda Botelho disse…
É verdade, nossas mudanças são leeeentas, e talvez não dê tempo mesmo de evitar o desconforto de viver sob as conseqüências de nossos atos.

Mas acho que enquanto for prioridade para nós o conforto, vindo da riqueza material, ainda vamos sofrer com a falta de atenção ao meio ambiente.

Venho fazendo um exercício de olhar o já feito, mesmo que ele seja pequenino. A mudança comportamental da população é importante pois com a mudança de hábito da maioria a minoria empresarial também muda. As transformações vem de baixo para cima, a massa tem mais poder que imagina...

Abraços!
Unknown disse…
Concordo Nanda, entretanto essas "mudanças de comprotamento" são direcionadas pelos mesmos que indiuzem ao consumo e não frutos d euma tomada de consciência, onde , na verdade, o real interesse é subsituir um produto por outro, mas a lógica de consumir e coonsumir continua a mesma!

abs